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Contos de fadas é coisa de mulherzinha. É coisa de criançinha.

Imagem: The Editorial Board of the University Society Boys and Girls Bookshelf (New York: The University Society, 1920) Como de costume, sem...

Imagem: The Editorial Board of the University Society Boys and Girls Bookshelf (New York: The University Society, 1920)

Como de costume, sempre procuro dialogar minhas postagens com algum outro texto. Hoje, escolhi “E as fadas foram parar no quarto das crianças”, da minha autora de cabeceira, Marina Colasanti, contido no livro, Fragatas para Terras Distantes, lançado pela Record em 2004.

Eu digo: Fadas. E logo você imagina uma mocinha delicadinha, loira de olhos azuis. As fadas foram assim imortalizadas pela Disney, e foram praticamente aprisionadas aos gêneros infantis. Comenta Marina este assunto:
“Múltiplos estudos nos mostram que são entidades milenares nem sempre tão boas e adocicadas como aquelas impostas pela cultura Disney, que se confundem com as bruxas e com os demônios, que englobam os gênios e os elfos, que há muitos séculos povoam de magia nosso imaginário, com uma intensidade que se entretecem no cotidiano.” (COLASANTI, 2004, pág. 221)
Mas se olharmos com mais atenção, o conceito de criança veio bem depois das fadas, só em meados do século XVIII, defendido por Rousseau. As fadas são mais velhas que as crianças. Uma voltinha pela pré-história e encontramos várias narrativas fantásticas. E não é por menos, afinal de contas naquela época, em que ciência era praticamente zero, os homens inventavam narrativas para as várias e várias dúvidas que os permeavam. Houve época que os fenômenos não eram explicados com fórmulas matemáticas, mas sim com muita magia.
“Os contos de fadas, nos diz Propp [Wladimir Propp] em seu raízes históricas dos contos de fadas, nasceram entre as comunidades primitivas da pré-história, antes mesmo que fossem descobertos a agricultura e o pastoreio.” (COLASANTI, 2004, pág. 226)
Era necessário educar de forma especializada, esta nova fase etária: a infância. A educação obrigatória tirava a leitura do costume elitista. As crianças, agora, também eram público para a leitura. Escolas foram criadas e livros parecia a melhor solução para o ensino. E as fadas foram metidas junto ao material didático das crianças:
“Na urgência de prover esse material, os manuais de leitura, os livros puramente didáticos e as obras literárias confundiam-se. E os contos maravilhosos, levados de roldão, foram metidos no mesmo saco de livros moralizantes, de narrativas históricas, de obras documentais. Logo, a bem do ensino, e em suposto respeito à tenra idade dos consumidores, seriam adequados, quando não podados” (COLASANTI, 2004, pág. 238)
Os contos de fadas sempre foram associados às mulheres. Não só porque a maioria das histórias giravam em torno de personagens femininos, mas também porque as mulheres sempre foram contadoras de histórias. Mas hoje, não lembramos da importância histórica delas quando falamos em livros de histórias de fadas. Conhecemos La Fontaine, os irmãos Grimm e Perrault, mas pouco ouvimos falar de Madame D’Alnoy ou mademoiselle L’Héritier ou da condessa Murat. Quem eram essas mulheres? Elas também escreviam contos de fadas.

O homem escrevia os contos de fadas (as mulheres também, mas não ganhavam o devido reconhecimento) e depois isso virava assunto de mulher. Eram elas que recontavam, que repetiam. As tentativas de virilizar os contos de fadas não foram pálio para o gosto das mulheres por este assunto. E porque agradavam tanto as mulheres, então foram rebaixados.
“Aquilo que agrada às mulheres é, para a sociedade dos homens, inferior. Como elas. As crianças também são consideradas inferiores, em que pesem os disfarces.” (COLASANTI, 2004, pág. 240)
Houve vários motivos para os contos de fadas se aproximarem tanto do universo infantil. Mas um em especial apontado por Marina Colasanti merece destaque: A masculinização da sociedade.

E finalizo a postagem com as mesmas palavras de Marina Colasanti, mulher e escritora de histórias de fadas:
“E aquelas narrativas – muitas vezes de asas podadas – foram transferidas para as salas de aula, onde as mulheres atuam como professoras, e para os quartos das crianças, onde as mulheres e seus pequenos, livres por instantes do desprezo social, podem viajar de mãos dadas no infindável reino do maravilhoso”. (COLASANTI, 2004, pág. 2241)

Imagem: Over Mundo - Projeto Escritores Brasileiros

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Santiago Régis

Santiago Régis
Santiago Régis nasceu em Imperatriz do Maranhão. Morou em terras maranhenses por 13 anos numa cidadezinha chamada Davinópolis. Mudou-se para Goiânia e morou por lá durante 11 anos. Ingressou na Faculdade de História da UFG-GO, mas logo abandonou o curso para seguir a carreira de Artes Plásticas, na mesma universidade. No mesmo período aproveitou várias disciplinas livres na Faculdade de Letras o que proporcionou, em toda a sua produção, o estreito laço entre Artes Visuais e Literatura. Suas ilustrações já estiveram em paredes de galerias, molduras, estampas, cartazes e principalmente em páginas de livros.

santiagoregis@gmail.com

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A PUBLICA[CADA] Acaso Análise Aquarela As crianças e os livros: reflexões sobre a leitura na primeira infância Asas de Pirilampo Belo Horizonte Biblioteca Comunitária Livro Aberto Cachoeira Paulista Cânone Editorial Capinzal Casa Casas Imaginárias Ceará Chico Moleque Colagem Coleção Quero Ser Contos Cedrinos Criança De Santos Rezas e Laranjas Dheyne de Souza Diário Editora Passarinho Empadão Ilustrado Encadernação de Livros Escola Eventos Exposições FAKEFAKE Família FAV Festa Literária Festival Literário FioSinfonia Fli-BH FLIS Gif Girafa Goiânia Gravura Ilustração Jangada Literária Javier Zabala João Tinha Medo Lançamento Leituras LiteraSampa LiteraSampinha Livro Bom é Livro Aberto Livro Experimento Livros Lygia Bojunga Maple Bear BH Marina Colasanti Marina Manda Lembranças Mário quer ser craque MCP Monteiro Lobato Novidades Novos Acasos Oficina de Encadernação Oficinas Padaria Espiritual Pinóquio Pintura Digital Polim Polo Sou de Minas Uai Princesa Processos Projeto Gráfico Projetos Raposa Revista RNBC Salão do livro São Paulo Sapo Seminário Séries Sketchbook Trabalhos UFG Um pônei chamado cavalo Urso Amigo Vera Maria Tietzmann Silva Vídeos Visitas a Santiago VIVA Web Zines
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Contos de fadas é coisa de mulherzinha. É coisa de criançinha.
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